Arrematação da “santa”

Por Doddó Félix

 

Santo Dias residia na região brejeira de Bom Jardim, próximo
ao rio Orobó, onde trabalhava na agricultura e tinha uma pequena
criação de animais. Graças ao trabalho desenvolvido nessas
atividades era tido como “remediado”, ou seja, possuía algumas
posses. Muito católico, todos os anos tinha como devoção promover
uma novena em honra de determinada santa cujo nome não foi
possível apurar. Era famosa e muito concorrida a quermesse
visando conseguir recursos para custear as despesas dispendidas
com a realização da festa. Certa feita passou dos limites quando,
durante uma quermesse resolveu arrematar, isto é, leiloar a “santa”
de sua penitência. Tudo começou quando um vizinho, antes de se
iniciar a quermesse quis comprar fiado a imagem da padroeira do
novenário. Ante a proposta, Santo Dias teria respondido com a
seguinte quadrinha: “Vender fiado dá pena, / pena que me faz
chorar. / Para não vender fiado, / vou a santa arrematar”. E a
”santa” foi leiloada. Talvez, em consequência de tamanho
sacrilégio, meses depois o rio desceu com uma enchente que mais
parecia um dilúvio, levando tudo na enxurrada: casa, cocheira,
estábulo, bem como todos os animais que no local se encontravam.
Santo Dias e familiares só escaparam porque ainda tiveram tempo
de galgar um morro situado nas proximidades. Quando a notícia se
espalhou na vizinhança, todos disseram em uníssono: – Foi castigo,
pela arrematação da santa!

Fonte: Nequinho de “Doutor”.

 

Doddo Félix

Literatura/ culturapopular.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2019-04-09T17:20:21+00:00 abril 30th, 2019|Literatura, Vitrine|0 Comentários

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