Artista de A – Z: Cabral

Img 9194.profileFoi através das frestas das janelas de uma antiga escolinha de arte, que durante anos funcionou no prédio onde hoje está instalado o Museu de Arte Contemporânea, na Rua Treze de Maio, bairro do Carmo, em Olinda,  que Everaldo Maciel Cabral, o mestre Cabral, vislumbrou pela primeira vez o que viria a ser o seu ofício de vida. Tinha 14 anos de idade e foi recusado como aluno pelo projeto, que só recebia meninos carentes a partir dos 17. A negativa, no entanto, pouco afetou a vontade de aprender. Todos os dias, as lições dadas em classe eram acompanhadas às escondidas, do lado de fora, e as dúvidas sobre as técnicas aplicadas pelo professor em sala, esclarecidas pelos colegas matriculados ao final das aulas.  

Para colocar em prática o que assimilava com esforço, o adolescente recorria às ferramentas (inadequadas) do pai sapateiro, chaves de fendas e pedaços de antigas portas de madeiras. Foi dessa forma que fez o seu primeiro trabalho: um floral entalhado que teve acabamento em graxa de sapateiro. Mesmo não gostando do produto final, Cabral subiu o Alto da Sé, onde os artesãos vendiam suas peças. Sua talha chamou a atenção de um turista alemão, que pagou por ela cinco dólares. “Entre todas que estavam expostas, foi a minha que ele mais gostou”, recorda. Com o apurado de sua primeira venda, Cabral comprou as primeiras ferramentas profissionais e nunca mais deixou de esculpir. 

Nascido no dia 19 de fevereiro de 1953, criado no Largo do Amparo, área histórica de Olinda, Cabral enfrentou a resistência da família, que preferia vê-lo no comércio de carnes (frigoríficos), caminho seguido pelos irmãos. Durante 25 anos, trabalhou no ateliê do artista plástico Ricardo Lima de Andrade, falecido em 2008, e lá aperfeiçoou  sua técnica, aprendendo também a trabalhar com o concreto. Escolheu fazer a vida através do entalhe e com troncos de cedro, louro-canela e amarelo vinhático – madeiras de fibras regulares – cria painéis, quadros decorativos, mesas, bancos em diversificada e colorida produção artesanal. Seu portfólio é vasto e nele estão presentes frutas e flores nordestinas, o casario colonial de Olinda e seus personagens, animais mitológicos, ícones do folclore, como o Bumba meu boi e o Maracatu, além de trabalhos de invocação religiosa.  “Gosto de pensar no que eu vou criar à noite, quando tudo está em silêncio. As figuras surgem na cabeça do nada”, admite.  

Entalhadas em alto e baixo relevos, as peças produzidas por mestre Cabral – mais de dez mil nos últimos 50 anos – são definidas por ele como semiesculturas e podem atingir de 40 centímetros a quatro metros de comprimento. Um trabalho refinado que tem grande aceitação na Alemanha, França, Itália, Portugal, Espanha, Estados Unidos. 

Mestre Cabral participa da  Feira Nacional de Negócios e Artesanato desde a sua segunda edição. Testemunha que a Fenearte levou a arte popular – e os seus criadores – a um outro patamar. “Antigamente os artesãos eram vistos como desocupados; pessoas que não queriam trabalhar. Enfrentei amarguras no passado por não desistir no que eu acreditava. Venci o preconceito e minha arte foi reconhecida”. 

Contatos: 

Endereço: Rua Nestor Barbosa Lima, 232, Ouro Preto, Jatobá, Olinda. 

Telefone: (81) 9.9743.2504

Texto: Rozziane Fernandes l Fotos e vídeo: César de Almeida

 

     

 

Fonte: http://www.artesanatodepernambuco.pe.gov.br

2018-09-17T12:47:07+00:00 outubro 4th, 2018|Artistas de A a Z, C|0 Comentários

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