Artista de A – Z: Cunha

Img 9115.profileOlhos desavisados certamente se surpreenderiam com o espaço de criação que José Francisco Cunha, o mestre Cunha, mantém em sua casa, na Rua do Sossego, 49, bairro de Jardim Jordão, Jaboatão dos Guararapes. Em poucos metros quadrados, pode-se encontrar de tudo um pouco do que geralmente é descartado: garrafas plásticas, ripas de madeira, canetas, arames, sobras de eletrodomésticos, latas, jornais velhos, caixas de papelão, entre uma infinidade de produtos. São com eles que o artesão dá contornos tangíveis ao seu universo lúdico e fantástico, criando peças que reproduzem seres imaginários que hoje integram acervos de colecionadores e de museus, como o Museu de Folclore Edison Carneiro (RJ) e o Museu do Homem do Nordeste (PE).

Mestre Cunha nasceu no Engenho Benfica, município de Ipojuca, Região Metropolitana do Recife, no dia 22 de abril de 1951. Desde criança acalentou o sonho de ser artista (pintor), desejo que se viu forçado a abrir mão ainda menino para encarar as urgências da vida. Trabalhou com o pai no corte da cana-de-açúcar e só estudou até a 5ª série do Ensino Fundamental. Foi ajudante de pedreiro, cobrador de ônibus, feirante, camelô, vendedor de doces e vigia noturno.

Desempregado aos 39 anos, e sem conseguir recolocação no mercado de trabalho, resolveu transformar em esculturas os seus sonhos recorrentes. “Queria fazer uma coisa que se identificasse comigo. Gosto muito de máquinas e de animais e resolvi misturar os dois para ver como ficava”, recorda. Em 1990, fez a sua primeira peça, uma cobra em tubo de caneta esferográfica. Quanto mais sonhava, mais seres antropomórficos e zoomórficos talhados em madeira policromada surgiam. Tentou vender suas criações na praia de Boa Viagem e no Terminal Integrado de Passageiros (TIP), mas geralmente não encontrava receptividade.

Nos anos 2000, começou a participar dos primeiros eventos enquanto artista popular. Expôs em feiras de artesanato realizadas pela Prefeitura do Recife e fez parte das oficinas do projeto Brinquedos Populares do Recife, iniciativa do Museu do Homem do Nordeste/Fundação Joaquim Nabuco e do Programa Artesanato Solidário. Através de Sílvia Brasileiro, que coordenava projetos do Museu, foi apresentado a Roberto Ruggiero, especialista em arte popular contemporânea e fundador da Galeria Brasiliana (SP). Esse encontro foi fundamental para que o trabalho do artesão ganhasse divulgação em escala nacional.

Mestre Cunha não gosta de classificar sua criação como brinquedos artesanais. São peças únicas e que por isso, ganham nome e identidade próprios. Há o avião macau, o centauro, o camelauro, o inaudito, teupai, o parampalho…. Os nomes, assim como a concepção das esculturas, surgem de sua fértil imaginação. “Mas, às vezes, procuro nomes no dicionário e até no Google. Quanto mais esquisito, melhor”, admite. Cunha já realizou diversas exposições individuais e coletivas em todo o país e desde 2011 participa da Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte) como mestre.

Contatos:

Endereço: Rua do Sossego, 49, Jardim Jordão, Jaboatão dos Guararapes

Telefone: (81) 3461.4536

Texto: Rozziane Fernandes l Fotos e vídeo: César de Almeida

 

  

Fonte: http://www.artesanatodepernambuco.pe.gov.br

2018-09-17T13:39:49+00:00 outubro 6th, 2018|Artistas de A a Z, C|0 Comentários

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