Artista de A – Z: Nilson

Img 9396.profileNílson Tavares, o mestre Nílson, um dos grandes nomes da arte santeira de Tracunhaém, cidade da Mata Norte de Pernambuco, costuma ser direto quando questionado sobre o seu trabalho: “o segredo de tudo está no acabamento e na expressão. É preciso cuidar dos detalhes para que a peça se crie”. Nascido no município de Goiana, no dia 2 de fevereiro de 1950, e com quase 60 anos dedicados ao ofício, o artesão, contemporâneo de Lídia Vieira, assegura que nasceu para viver do barro. Sonha com suas esculturas e chega a passar 18 horas imerso em seu próprio universo criativo.

Mestre Nílson foi menino pobre em Goiana. Criado pela avó, não frequentou escola e enfrentou grandes dificuldades na infância, tendo muitas que recorrer ao lixo em busca de alimento. Sua história com o barro começou aos dez anos de idade e, aos 11 anos, já tinha elaborado a primeira escultura, uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, da qual é devoto fervoroso até hoje, vendida a um turista no Restaurante Buraco da Gia. Teve como professor o ceramista João do Boneco, um dos irmãos do artesão Zé do Carmo, principal expoente da arte figurativa de Goiana.

Deixou sua cidade natal aos 14 anos de idade e foi morar em Tracunhaém. Criou muitas peças de santos para Zezinho de Tracunhaém até conseguir montar o próprio ateliê, em 1980. Pais de dois filhos, que seguiram seus passos (hoje, apenas Nielson Ferreira Tavares trabalha com cerâmica figurativa), onze netos e sete bisnetos – alguns já se iniciando na arte do barro -, mestre Nílson se diz feliz com as escolhas da vida. “A arte já me deu muita alegria. Às vezes a gente desanima com as dificuldades e com a falta de incentivo, mas a história com o barro eu vou levar adiante”.

Ele nunca deixou Tracunhaém, mas a sua arte santeira ganhou o mundo, sendo bastante apreciada por galeristas e colecionadores, como Abelardo Rodrigues (1908-1971), um dos mais respeitados colecionadores de arte sacra no Brasil, em boa parte responsável divulgação do trabalho do artesão pernambucano.

Mestre Nílson trabalha com o barro branco de Cupiçura (PB), matéria-prima para os seus santos de textura lisa, traços delicados e acabamento elegante, feitos com esmero tanto em tamanhos reduzidos (45 centímetros) até quase quatro metros de altura. Usa o tempo em seu favor e pode passar mais de uma semana para concluir uma peça que nasce a partir do capricho dos detalhes.

Recorre a ferramentas nada convencionais para conseguir o acabamento desejado, como grampos de cabelo, raio de bicicleta, arames, garfos, tocos de madeira e orgulha-se em de ter uma de suas esculturas no Vaticano – um presente dado pelo então governador Marco Maciel ao Papa João Paulo II durante a visita do pontífice ao Estado (1980). Nílson de Tracunhaém participa da Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte) desde a 5ª edição e há quatro anos foi convidado a integrar a Alameda dos Mestres do Artesanato de Pernambuco.

Contatos:

Endereço: Rua Antônio Felipe de Souza, 87A, Tracunhaém

Telefone: 81. 9.9989-4590

Texto: Rozziane Fernandes l Fotos e vídeo: César de Almeida

 

Fonte: http://www.artesanatodepernambuco.pe.gov.br

2018-10-05T13:00:38+00:00 outubro 27th, 2018|Artistas de A a Z, N|0 Comentários

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