Artista de A – Z: Tapeçaria Timbi

Img 8970.profileA história das tapeceiras de Timbi, bairro mais populoso do município de Camaragibe, Região Metropolitana do Recife, é, antes de tudo, uma narrativa do empoderamento feminino. A Associação foi fundada em 26 de julho de 1983 por um grupo de moradoras preocupadas com questões como saúde, qualificação, geração de renda e organização social. Inicialmente, a ideia mobilizou cerca de 40 mulheres, muitas delas levando para a nova organização a experiência da arte de tecer. Em uma trajetória focada no aperfeiçoamento de processos, a Associação conquistou respeito, premiações, reconhecimento nacional, tendo ainda o trabalho destacado até fora do país.

Atualmente a Associação é formada por 18 artesãs: Ivonete Santana (presidente), Maria do Carmo da Silva, Maria do Carmo Casemiro, Maria Santana, Tereza dos Santos, Edna de Oliveira, Albanize Rodrigues, Salete Vange, Josefa de Arêda, Maria do Carmo Leite, Rosa Maria da Costa, Suely dos Santos, Lúcia Pedrosa, Josilene da Rocha, Porcina Nascimento, Adilma Lima, Lúcia de Freitas e Joseli da Silva – mulheres com idades e histórias diversas, mas unidas pela trama do bordado.

Maria do Carmo da Silva, 74 anos, 40 deles dedicados à tapeçaria, é uma das fundadoras e ainda está em plena atividade. Nasceu no município de Nazaré da Mata (Zona da Mata Norte) e desde pequena vive às voltas com telas, lãs e agulhas. Com o ofício, criou 13 filhos e admite que a experiência coletiva a fez crescer enquanto pessoa. “É emocionante lembrar tudo o que passamos e a história que construímos juntas. Muitas mulheres tiveram a oportunidade de aprender e de garantir renda para suas famílias”, afirma a mestra que participou pela primeira vez da Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte) em 2013, sendo ainda uma das cinco mulheres de Timbi que ajudaram as tapeceiras de Lagoa do Carro, nos anos de 1990, a aperfeiçoar algumas técnicas do tecer.

No começo, sem sede própria, as reuniões aconteciam de forma itinerante nas casas das associadas. Teciam tapetes no estilo arraiolo (originário da Vila Arraiolos, região do Alentejo, Portugal) sob encomenda para lojas do segmento até que decidirem sedimentar o próprio caminho, em 1988, em busca de mercado e identidade. Nesse percurso, parcerias com algumas instituições, como a Casa da Mulher do Nordeste, Sebrae, Centro Pernambucano de Design e Laboratório de Design O Imaginário (UFPE), foram fundamentais para a organização e amadurecimento do sonho coletivo.

Essas parcerias geraram frutos definitivos para a história das tapeceiras. Em 1990, com recursos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), conquistam a sede da Associação, até hoje instalada na Rua Afonso Pena. Introduziram a lã de algodão, mais macia ao tato e rentável, na feitura dos tapetes. Foram instigadas e criaram novas temáticas, ampliando assim o leque de produtos comercializados através de uma linha em serigrafia (mantas, almofadas, camisas, blocos de papel, entre uma infinidade de produtos).

Essas e outras iniciativas asseguraram às tapeceiras de Timbi a conquista do Prêmio TOP 100 Sebrae do Artesanato em três edições (2009/2010; 2013/2014; 2015/2016), entre outros reconhecimentos importantes, como o prêmio organizado pelo Museu do Objeto Brasileiro (SP), do qual foram finalistas em sua 2ª edição (2010). Em 2013, a Associação Tapeçaria Timbi ganhou projeção internacional ao ser convidada a participar da exposição Brazilian Craftswoman, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), em sua sede, em Nova York (EUA).

Ao longo dos últimos anos, as artesãs evidenciaram nos tapetes a preocupação com a cultura e os valores nordestinos, criando linhas exclusivas, como as coleções Árvore da Vida (introduzindo elementos da xilogravura), Cenas do Cotidiano (abordando a temática do cordel), Casario Pernambucano (que ganhou exposição no Shopping Plaza, em 2009) e, mais recentemente, a linha J.Borges, artista popular, patrimônio vivo da cultura pernambucana, que selecionou pessoalmente para as tapeceiras as dez xilogravuras mais importantes de sua obra e que foram transformadas em tapetes pelas mulheres de Timbi. Em tapetes tecidos coletivamente em lã de algodão, mergulha-se no universo de J.Borges através de em seus trabalhos A chegada da prostituta no céu; Asa Branca no Sertão; Lampião no forró do vale tudo; A morte da mulher boa; Fim de semana em casa de pobre; mudança de sertanejo; O frevo; A moça roubada; A ceia larga e A vida de preguiçoso.

Ivonete Santana, atual presidente da Associação, tornou-se tapeceira tendo como professora Dona Maria do Carmo. Assim como as demais, orgulha-se das escolhas feitas na vida e acredita em um futuro promissor para a Associação graças ao idealismo e a tenacidade das mulheres de Timbi. “Porque antes de tudo investimos amor no que fazemos. As conquistas, resultado do esforço e da superação, são consequência desse amor e do respeito que temos por nosso trabalho”, assegura.

Contatos:

Endereço: Rua Afonso Pena, 340, Timbi, Camaragibe

Telefone: 3458.6205

Texto: Rozziane Fernandes

Fotos e vídeo: César de Almeida

 

  

Fonte: http://www.artesanatodepernambuco.pe.gov.br

2018-09-11T14:01:34+00:00 setembro 16th, 2018|Artistas de A a Z, T|0 Comentários

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