As bandas de pífanos de Caruaru

*Banda de Pífano Nossa Senhora das Graças

 

Banda de pífanos quem nunca ouviu falar?

Sua formação se constitui em 1º pífano, 2º pífano, surdo, tarol, pratos e bombos.

Esses grupos que encantam gerações trazem em sua trajetória musical elementos do seu cotidiano- a alegria das festas de reisados, novenas, missas, pastoril, cantorias, vaquejadas e muito mais.

Segundo os pesquisadores Cláudio Carvalho Moreira e Zezão Castro, a origem dos pífanos “Remonta aos beduínos orientais e berberes norte-africanos, que legaram aos colonizadores nos 800 anos de dominação na Ibéria este formato, logo copiado por toda Europa”.

A banda de pífanos Zabuma Cabaçal era do avô dos Bianos e passou para Manoel Clarindo Biano, herdeiro de alguns instrumentos do seu pai. Essa força harmônica que seu Manoel tinha aprendido com os índios, foi chegando até as mãos dos filhos Sebastião e Benedito Biano que no meados dos anos de 1920, em Mata Grande no sertão de Alagoas, iniciaram a sua carreira artística. Esses incansáveis artistas chegaram a Caruaru no dia 15 de julho de 1939, com a banda “Zabumba dos Contendo”. Com a morte do seu pai Manoel, Sebastião e Benedito, formaram uma nova Banda agora com o nome definitivo Banda de Pífanos de Caruaru.

A década de setenta foi o seu grande auge. Fizeram trilhas sonoras para filmes como ”Terra sem Deus” e “Faustão”, sendo os precursores nesse tipo de banda a realizar gravações fonográficas no país. Com o movimento Tropicalista, encabeçado por Gilberto Gil e Caetano Veloso, a banda foi conhecida em cenário nacional e logo em seguida gravaram “Pipoca Moderna”, um grande sucesso do grupo que em seguida gravou seu primeiro LP: Banda de Pífanos Zabumba Caruaru. Esse disco fez com que o grupo se mudasse para São Paulo para fazer alguns shows e por lá mesmo ficaram.

Nesse percurso a banda constrói uma trajetória de sucessos com apresentações na Suíça e pelas principais capitais brasileiras. Suas músicas influenciaram outros grupos e músicos tais como Sangue de Barro, Zabumba Bacamarte, Erisson Porto, Sóstenes Rodrigues, Quinteto Violado, Alceu Valença, Orquestra Armorial entre tantos outros. “Em 2004, a Banda de Pífanos Caruaru, com o disco” Banda de Pífanos de Caruaru, no século XXI-pátio do forró” foi premiado com o Grammy Latino,na categoria Álbum de Música Regional Brasileira. O nosso Agreste, que é rico em diversidade cultural, continuou sua luta com as bandas de pífanos que ficaram por aqui. Entre elas a Banda de pífano Dois Irmãos do Mestre João do Pífano, que tem viajado por toda Europa e que hoje é professor de música, desenvolvendo um trabalho no Morro do Bom Jesus. Um nome importante na história dessa expressão musical que se amplia a cada dia, pois o Mestre João já formou varias bandas de pífanos, dando continuidade e oportunidade a crianças carentes e as mães dessas crianças. Dessa experiência podemos citar a formação da Banda de Pífano da Terceira Idade, uma verdadeira perola musical.

Outro Mestre é seu Biu da “Banda de Pífano Princesa do Agreste”, mais um trabalho que enriquece ritmos e melodias em nossa cidade. E da nova geração Edmilson do Pífano que vem sustentando a bandeira cultural do cenário Pífanista de Caruaru e região.

Hoje em Caruaru existe a casa do Pife localizada na Estação Ferroviária. Esse espaço vem formando novas Bandas para o cenário artístico cultural.

O que nos mostra que essa expressão musical se renova a cada dia no trabalho reinventado pelos artistas das mais diversas tendências, mas que bebem na fonte da musicalidade dos pífanos.

 

 

Matéria: Hérlon Cavalcanti I Jornalista

Fotografia: Site culturapopularpe.com.br

2018-11-24T10:29:14+00:00 novembro 24th, 2018|Música, Vitrine|0 Comentários

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