Pernambuco Danado de Bom! – Carlinhos Cordel

 

Ser homem pernambucano 

É ser bem original

Alegre e receptivo

É ter sempre um alto astral

Ser sensível, solidário

Dum estado legendário

Brasileiro especial.

 

Tenho orgulho de dizer

Eu sou um pernambucano

Minha cidade é Cupira

Sou home’ interiorano

Um ser humano arretado!

Cabra da peste testado

Homem bondoso, bacano.

 

Gosto de ouvir Marinês

Gonzaga, o Rei do Baião

Alceu Valença, Anastácia

Nando cordel, Azulão

Chico Science, Dominguinhos

Lenine, Jorge de Altinho

Queridos nessa nação.

 

Posso dizer com orgulho

Sou da terra de Bandeira

Grande poeta moderno

Erudito de carreira

Ou do mito Paulo Freire

Escritores de primeira

 

João Cabral de Melo Neto

Outro grande literato

Também Carlos Pena Filho

Um pernambucano nato

Fez poesia ordeira

Honrando nossa bandeira

Pernambucano sensato.

 

Os escritores famosos:

Nelson Rodrigues, cronista

Nosso Evanildo Bechara

Martins Júnior, Jornalista

Destaco Álvaro Lins

Mauro Mota, Osman Lins,

Joaquim Nabuco, jurista.

 

Nossa Clarice Lispector

Brasileira, ucraniana

Escritora e jornalista

Confessa, pernambucana

É autora de romance

Ensaio, contos de alcance

Com cena cotidiana.

 

Ser pernambucano é

Ter uma ideia bacana

Comer bolo de bacia

Com um bom caldo de cana

Degustar bolo de rolo

Ouvindo como consolo

A “Morena Tropicana”.

 

Adorar um suco fresco

De tamarindo ou de manga

De umbu ou de cajá

De sapoti ou pitanga

Chupar pitomba docinha

Jabuticaba fresquinha

Sem fazer muita “munganga” (careta).

 

É sair no carnaval

Junto da rapaziada

No maior bloco do mundo:

O Galo da Madrugada

E no carnaval de Olinda

Com uma menina linda

Frevar em toda jornada.

 

No frevo, temos destaques

Capiba, Nelson Ferreira

tem o Claudionor Germano

Que fez brilhante carreira

Um frevo, venha curtir

É gostoso de ouvir

Não fique aí de bobeira.

 

Há artistas de primeira

Como o Maestro Forró

Que toca, canta e agita

Dança numa perna só

Spok e Alceu Valença

O frevo pede licença

para animar a vovó.

 

É se fazer qualquer coisa

Por nossa bela cultura

Comer um queijo de coalho

Um “taquim” de rapadura

Dançar forró pé de serra

Tomar cachaça da terra

Comendo a tanajura.

 

Tomar café da manhã

Logo depois da noitada

Comer um cuscuz com bode

Macaxeira cozinhada

Degustar charque na brasa

O pernambucano arrasa

Nessa sua empreitada.

 

Por falar em culinária

Nossa comida é amada

Sururu, carne-de-sol

Carne de bode, buchada

Mão-de-vaca, dobradimha

O chambaril com farinha

Caranguejo, feijoada.

 

A fava e o feijão verde

A tapioca, a rabada

O bolo Souza leão

Caldinho, vaca atolada

Comer xerém com galinha

Tomar Pitú com rolinha

Junto à rapaziada.

 

Milho assado, mugunzá

Cozido, arrumadinho

Pé-de-moleque, canjica

Cartola e escondidinho

Sarapatel, quiabada

A pamonha, a caldeirada

Um bom pirão bem quentinho.

 

É cantar o nosso hino

Como um maracatu

Forró, frevo ou baião

Dança em Caruaru

Do mundo, o melhor São João

Ao som do nosso Azulão,

Fulô de mandacaru.

 

É ver a Paixão de Cristo

Ao ar livre, encenada

Em Nova Jerusalém

Fazenda Nova afamada

Maior teatro do mundo

Com a natureza ao fundo

Por Jesus, representada.

 

É torcer para um só time

Que você achar mais forte

O Santa Cruz ou o Náutico

Ou para o nosso Sport

Pernambuco, de verdade

Tem essa rivalidade

Torça e tenha boa sorte.

 

Pernambucano é assim

Chama painho, mainha

Para visitar os avós

O voinho e a voinha

Falar “visse” no final

De cada frase é normal

É vicio dessa terrinha.

 

Ser pernambucano é

Saber o pernambuquês

A nossa língua local

Deriva do Português

Saber o que é “pantim”

“Piranguêro”, “Trancilim”

E todos os seus clichês.

 

É dizer “mangar”, “lascou-se”

“É racha” ou “Tá ligado!?”

“Digaí!”, “vixe!”, “oxente!”

“Baitola”, “xôxo”, “ajeitado”

“Lambisgoia”, “tribufu”, 

“Bruguelo”, “guenzo”, “bigu”

“Engrisilha” ou “avexado”.

 

É bela a nossa cultura

Ciranda, Maracatu

Bandas de pife, Embolada

De Castanha e de Caju

Xote, Cavalo-Marinho,

Pastoril e Caboclinho

Bezerros tem Papangu.

 

Pernambuco dos vaqueiros

Das festas de vaquejadas

Dos forrós , dos violeiros

Dos benditos, das toadas

Pernambuco dos cordéis

Dos poetas, menestréis

de praias ensolaradas.

 

Pernambuco abençoado

Pelas praias majestosas

Serrambi, Tamandaré

Com águas deliciosas

Porto de Galinhas sonha

Em Fernando de Noronha

Há cenas maravilhosas.

 

Pernambuco do pandeiro

Das festas de apartação

Do Rei Reginaldo Rossi

No brega, o campeão

Pernambucano dos meus ais

Do frevo, dos carnavais

Vives no meu coração.

 

“Eu sou mameluco

Sou de Casa Forte

Sou de Pernambuco 

Eu sou Leão do Norte.”

Essa música é pra cantar

Encher o peito e gritar

O pernambucano é forte!

 

 

Autor: Carlos Soares

Prof.º de Língua Portuguesa e Literatura.

 

 

2018-10-29T12:51:24+00:00 novembro 1st, 2018|Cordel|0 Comentários

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