Folguedos Populares de Pernambuco

 

O FREVO pernambucano

é sem dúvida uma conquista.

Quem quiser dançar seus passos

não precisa ser artista,

dependendo do talento

qualquer local é uma pista.

 

Ao bom dançador de FREVO

não carece muito, não!

Basta uma sombrinha, um tênis,

um saiote e um calção,

algum compasso no pé

e bastante animação.

 

Depois de entrar na folia,

tem mais de uma opção.

O gosto é de cada um,

da sua disposição:

pode ser frevo de rua,

de bloco, ou frevo-canção.

 

É válido homenagear

os grandes compositores

que produzem nosso FREVO.

Eles são merecedores

de calorosos aplausos

e dos maiores louvores.

 

Comecemos por Capiba,

“hors concours” indiscutível,

além de Nelson Ferreira,

outra figura imbatível,

Levino, Edgar Morais…

Citar todos, impossível.

 

CIRANDA ou dança de roda

é um ritmo bem praieiro,

pois nas areias molhadas,

ao embalo do coqueiro,

a noite inteira se escuta

o cantar do cirandeiro.

 

De origem portuguesa,

foi no Nordeste implantada.

No ritmo cadenciado,

homem e mulher, de mão dada,

canta e dança a noite toda,

à luz da lua prateada.

 

É dança comunitária

onde não há preconceito,

dança mulher, dança homem,

fazendeiro, cabo de eito,

dança preto, branco, pobre,

padre, juiz e prefeito.

 

São vários os instrumentos

que numa CIRANDA há,

como sanfona, tarol,

piston, zabumba e ganzá,

sendo a maior cirandeira

Lia de Itamaracá.

 

A dança dos cangaceiros,

conhecida por XAXADO,

é ritmo de cabra macho

do sertão do nosso Estado,

que os cabras de Lampião

dançavam no descampado.

 

O XAXADO em seus primórdios

não tinha acompanhamento,

justificando-se a falta

de qualquer um instrumento

pela ausência de mulheres

nos bandos em movimento.

 

Então, o rifle era a dama…

E o fato é que Lampião

foi o disseminador

dessa dança no sertão,

que até hoje não morreu

e se tornou tradição.

 

Provavelmente surgida

mais próximo da beira-mar,

existe o COCO, uma dança

de caráter popular,

nordestina de nascença,

excelente pra dançar.

 

Cantando e animando a roda,

tem o tirador de coco

que faz improviso em verso

num cadenciado louco,

enquanto troca umbigada

e outros respondem em troco.

 

Dançar COCO é bem gostoso,

umbigada, bom demais.

Já foi dança de salão

entre elites sociais,

mas virou dança de rua

nesses tempos atuais.

 

Em toda roda de COCO

há ginga e delicadeza.

O COCO traz influências

africanas com certeza.

Voz e som de percussão

exprimem muita beleza.

 

Outra festa popular

do Nordeste brasileiro,

que envolve um par de cavalos

e uma dupla de vaqueiro,

é a VAQUEJADA, vista

por este sertão inteiro.

 

Essa dupla corajosa

se apresenta como artista.

Sua proeza consiste

em derrubar boi na pista.

Quanto mais queda ela dá,

mais fama e troféus conquista.

 

Outrora o gado era solto

no pasto sem divisão.

Cada ano, a vaqueirama,

em forma de mutirão,

reunia as reses para

fazer a apartação.

 

Hoje a festa está moderna,

ficou mais sofisticada,

existem regras e prêmios,

é bastante divulgada.

Transformou-se em festa vip

a popular VAQUEJADA.

 

Trazido para o Brasil

na época da escravidão

pelos escravos que vinham

para nossa região,

surgiu o MARACATU

que aqui virou tradição.

 

Primeiro foi em Recife,

depois no interior…

Os cortejos exibiam

rei, rainha, embaixador,

bem como outros personagens

dessa dança de valor.

 

Visavam representar,

essas agremiações,

alguma imagem distante,

guardada nos corações

dos negros escravizados:

as nativas regiões.

 

O MARACATU mudou:

talvez buscando melhora,

integrou-se ao Carnaval,

está diferente agora,

porém conserva elementos

dos velhos tempos de outrora.

 

Ariano Suassuna,

o nosso grande escritor,

é tido oficialmente

como idealizador

do MOVIMENTO ARMORIAL

com todo seu esplendor.

 

Depois de passar momentos

de verdadeiro sufoco

em seu início modesto,

e até, quem sabe? meio oco,

conquistou muitos adeptos,

ganhou força pouco a pouco.

 

Movimento cultural,

algo novo que se tenta,

novidade implementada

lá pelos anos setenta,

viu-se que a arte erudita

a popular complementa.

 

Abrangendo vários campos

com visão sempre elevada,

reuniu diversas artes

e artistas de nomeada,

resultando em consequência

numa obra consagrada.

 

SÃO JOÃO é só alegria!

Muita festa nos salões…

Música e forró toda hora

aquecendo os corações

que nessas noites palpitam

num festival de paixões.

 

Busca-pé, traque e rojão

espocando a noite inteira.

O céu de balões repleto,

milho assado na fogueira,

dança até raiar o dia,

depois bastante canseira.

 

Quadrilha bem animada…

Na praça, a banda a tocar.

Bolo, pamonha e canjica,

todos vão se deleitar.

SÃO JOÃO quer dizer fartura,

comida em todo lugar.

 

Rica manifestação

dos arraiais do Brasil,

nenhuma outra terra tem

época como essa, gentil.

As nossas noites juninas

só merecem nota mil!

 

Cordel: Doddo Félix

Fotografia: Edgar Filho | www.culturapopularpe.com.br

2018-07-25T12:44:57+00:00 julho 25th, 2018|Cordel, Vitrine|0 Comentários

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