Histórias e Folclore: Vida de Pobre – Onildo Pereira Santos

Quando está azarado, o sujeito sem emprego, a mulher grávida, uma ranchada de filhos para sustentar, sem casa própria para morar, faz coisas que o “afuleimado” duvida…
Assim, começou Joaquim de Zuca a narrar uma de suas estórias.

Contava Joaquim ter conhecido um pobre coitado nas condições acima descritas.
O infeliz, para arranjar o pão de cada dia, dava um duro danado! Fazia biscoitos que, bons ou ruins, davam para ir levando a vida.

O pior era quando chegava o final do mês. A situação ficava de matar cachorro a grito. De todas as formas, tentava arranjar meios para pagar o aluguel da casa onde morava, mas seus esforços sempre eram em vão.

Raro era o mês em que podia pagar o aluguel e, na maioria das vezes, a solução era a de sempre: “Mulher, junta os panos, faz as trouxas e amarra as galinhas que amanhã cedinho vamos cair fora. Vai chegar o dono da casa querendo receber o aluguel, e dinheiro que é bom, tu já sabes, eu não tenho!…”

No mês seguinte, a solução era a mesma.
A sorte era que sempre conseguia alugar outra casa.
E tantas vezes a cena se repetiu que as “penosas”, acostumadas com tantas mudanças, quando chegava o dia trinta de cada mês, já amanheciam todas deitadas, de perninhas para cima, esperando mais uma vez serem amarradas para nova viagem.

Do Livro: Bom Jardim Histórias e Folclore.
Autor: Onildo Pereira Santos
Foto: Edgar Severino dos Santos.

Onildo Pereira Santos – nasceu em 7 de outubro de 1926, na cidade de Bom Jardim – PE. Filho de Severino Pereira Barros e Josefa Pereira dos Santos. Estudou as primeiras letras com a professora Josefa Coleta de Albuquerque (Professora Santinha). Depois estudou no Colégio Sant’ Ana e no Ginásio de Bom Jardim. Ao longo da vida exerceu as mais diversas profissões. Foi fabricante de bebidas e móveis, comerciante, político, construtor e , já aos 60 anos, iniciou-se no ofício de escritor, narrando fatos relacionados com a terra e a gente bonjardinense. Sempre viveu na terra que lhe serviu de berço. Residiu numa rua que foi construída por ele e tem o nome de seu pai.

2018-08-22T00:10:15+00:00 agosto 22nd, 2018|O, Vitrine|0 Comentários

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