MESTRE ZUZA

Há mais de um século o barro está presente na história da família de José Edvaldo Batista, o mestre Zuza de Tracunhaém. Seus avós, José e Joana Batista, fizeram nome na cerâmica utilitária nos anos de 1920, assim como o pai, João Batista, a irmã, Estelita, e a tia, Severina Batista, uma das mais expressivas artistas populares daquele município da Zona da Mata Norte pernambucana.

Nascido no dia 18 de setembro de 1958, Zuza também fincou raízes no solo massapê e deu a ele novos significados. Começou aos dez anos de idade como ajudante na olaria de José Tibúrcio e por quase dez anos (década de 1980) trabalhou com o ceramista Tiago Amorim, mas não demorou para descobrir seu estilo próprio. Desenvolveu uma linha de esculturas xipófagas (imagens ligadas pela cabeça) e se descobriu santeiro preservando a essência da arte primitiva dos antigos mestres do barro, em um trabalho autoral que propõe uma releitura do barroco, assegurando contemporaneidade e aproximando o estilo à realidade nordestina.

Em Tracunhaém, terra da arte santeira, o trabalho apresentado por mestre Zuza se destaca pela criatividade e força expressiva. Seus santos e santas, sem qualquer vinculação com a estética europeia, associam-se, nos traços fisionômicos e nas vestimentas, ao índio, negro e à cultura pernambucana. Fazendo uso de recursos simples, como palitos e canetas, transporta para as peças muito da realidade filtrada pelo menino que cresceu impactado pela força da arte popular e pela pobreza. “Os resplendores das minhas esculturas remetem aos cocares dos índios; o barro escuro, uma lembrança do negro e nas roupas, a renda de bilro, a lembrança dos reis e rainhas do Maracatu e a estopa, que destaca o voto de pobreza”, afirma o artesão.

Patrimônio vivo de Tracunhaém, historiador – cursou História na Universidade de Pernambuco com o dinheiro garantido pelo barro -, ex-secretário de Cultura e ex-diretor de Turismo do município, mestre Zuza há mais de vinte anos também se dedica a ensinar jovens e trabalhadores através do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) em municípios da Zona da Mata, Agreste e Sertão do Estado. Mais de 1.500 ao longo das últimas décadas. “É uma experiência valiosíssima. Muitas vezes o aluno não sabe nada sobre o barro, mas tem o dom e é muito importante ajudá-lo a descobrir seu caminho. Com esse trabalho, tenho deixado uma semente para que não se perca a transmissão de saberes. A arte me trouxe grandes realizações e muito além do que a satisfação em vender, está o prazer da realização”, indica o mestre.

Contatos:

Endereço: Rua José Gomes Santiago, 80, Centro, Tracunhaém.

Telefone: (81) 99302-1753

 

 

Texto: Roziane Fernandes l Fotos e vídeo: César de Almeida

Fonte: Artesanato de Pernambuco

 

 

2018-08-01T15:43:22+00:00 julho 14th, 2018|Artesanato, Vitrine, Z|0 Comentários

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