No Tempo das Serenatas – Genaro Silva

O que é bom dura pouco

Sempre ele chega ao fim

Meus versos são bem rimados

Vai continuar sempre assim

Já faz um bocado de tempo

Não vejo serenata em Bom Jardim

 

Antigamente era diferente

Essa será a minha opinião

Quem não lembra de João de carro

Zé Bagre, Bráulio e Biu de Bolão

Didi de Hermes e Rinaldo Barros

E Luiz de Zé Orobó no violão

 

Nas caladas da noite

No romper da madrugada

Os instrumentos eram afinados

Ai começava a caminhada

Os cantores se preparava e cantava

Para acordar as suas namoradas

 

Falando com toda honestidade

Desse tempos sentimos falta

Zé Bagre no clarinete

Tinha saxofone, violão e flauta

Quem não gosta de ouvir

Uma bonita serenada

 

Minha terra já posso dizer

É de uma beleza sem fim

Se ver uma pessoa fazendo versos

Ou musica pode dizer assim

Esta pessoa só pode ser

Um filho de Bom Jardim

 

Antigamente a eletricidade

Era na base do candeeiro

A cachaça e o tira gosto

Sempre era os primeiro

Agora o Genaro vai dizer

O nome dos seresteiros

 

O primeiro seresteiro

Esse não sai da imaginação

Era um Trombone de respeito

Ele tocava também violão

Era um grande sapateiro

É o nosso amigo Biu de Bolão

 

O segundo seresteiro

Esse eu tenho que elogiar

Era o amigo Zé Bagre

Conhecido muito neste lugar

O clarinete desse músico

Só faltava mesmo falar

 

O terceiro é Luiz de Zé Orobó

Um professor de violão

Um músico muito respeitado

Por esta imensa região

Pequeno mais tocava muito

Está é minha opinião

 

O quarto é Bráulio de Castro

Esse é um grande compositor

Pelas musicas já gravadas

Ele já mostrou o seu valor

Em matéria de talento

O migo Bráulio já mostrou

 

O quinto é Didi de Hermes

Esse está na mina lista

Porque falando a verdade

Tinha uma voz muito bonita

Ele já partiu para a eternidade

Mas a sua lembrança é infinita

 

O sexto é Rinaldo Barros

Ele gostava muito de cantar

Junto com João de Carro e Chator

Eram afamado neste lugar

E Genaro Vieira por sua vez

Este só fazia acompanhar

 

As serenatas daquele tempo

Existia muita honestidade

Se juntava os seresteiros

E saiam pelas ruas da cidade

E o cabo veio meus amigos

Era um seresteiro de verdade

 

Esse outro seresteiro

Para cantar tinha vocação

Acompanhado por Zé Bagre

E o seu amigo Biu de Bolão

Era o saudoso Biu da Tábua

Dele só resta recordação

 

Dos antigos seresteiros

É muito difícil de esquecer

Zé Dárcio e Bie de Epitácio

Barraquinha Zela e Renê

Ainda tinha Didi de Vita

Esse acompanhava só pra beber

 

Naquele tempos das serenatas

Existia, ordem e muita paz

Só a pessoa mesmo vendo

Alegria amigos era demais

As serenatas em Bom Jardim

Você não veras nunca mais

 

Hoje já não existe mais

Isso é uma pura realidade

Você acha que estou mentindo

Ou estou falando a verdade

Os seresteiros que eu falei

Alguns já partiram para a eternidade

 

Esses povos para cantar

Para eles não tinha horário

Com minha pouca inteligência

Eu fiz esse documentário

Tem o cantor Joaquim Gonçalves

Esse dispensa comentário

 

Era um tempo de respeito

Isso ninguém pode negar

Bebiam muitas cachaças

Mais ninguém procurava brigar

Se houver uma serenata hoje

Com certeza não chega a terminar

 

Quero terminar minha história

Falando para vocês assim

Espere que  não fique zangado

Nem diga que o Genaro é ruim

Se não gosta de música ou de poesia

Não diga que é filho de Bom Jardim

 

 

 

Biografia

Genaro Vieira da Silva, natural de Bom Jardim, nascido em 09 de Julho de 1936, filho de Vitalina Vieira dos Santos e Antônio Vieira da Silva, Genaro estudou até o 5º ano primário.

Deste muito jovem, despertou o interesse pela literatura de cordel motivado por sua mãe. Escreveu dezenas de versos sobre os mais variados temas, fenômeno e personagens com uma linguagem simples e matuta, marca que o identifica.

Através do Projeto História, Cultura e patrimônio, publica seu primeiro cordel e recebe justas e merecidas homenagens neste ano de 2010.

 

 

2018-12-17T09:57:35+00:00 janeiro 5th, 2019|Cordel|0 Comentários

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