Noite para os tambores silenciosos celebra a paz de quem vai brincar o Carnaval

Na sua 18ª edição, esta é a primeira vez que os tambores irão rufar em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em Olinda, na ausência do Mestre Afonso

Durante a cerimônia, a frente da igreja é banhada de perfume e, em seguida, às 0h, o rufar dos tambores se transforma em silêncio

Todos os anos, na semana que antecede o Carnaval, acontece em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos a Noite para os tambores silenciosos de Olinda, evento profano e religioso que chega à sua 18ª edição este ano. Com apoio da Fundarpe, a celebração irá reunir no próximo dia 25 de fevereiro, no Sítio Histórico olindense, a partir das 19h, dez nações de maracatu de baque-virado.

De uma em uma, as agremiações seguem em cortejo, saindo dos Quatro Cantos, rumo ao ritual religioso que começa às 0h com entoação de cantos africanos em frente à Igreja. Esta será a primeira vez que a cerimônia não será realizada por Mestre Afonso, babalorixá e mestre do Maracatu Leão Coroado (Patrimônio Vivo de Pernambuco) que faleceu no ano passado.

Segundo Karen Aguiar, integrante do Leão Coroado, a Noite para os tambores silenciosos deste ano será do mesmo jeito que o mestre fazia, “porque é uma festa religiosa e segue alguns preceitos. A pessoa que vai guiá-la é o atual zelador dos santos do terreiro, que a fará junto a algumas integrantes do maracatu e filhas de santo do Mestre Afonso”.

“Antes de começar o mestre chamava os eguns do terreiro que conhecia, ancestrais da sua família, como seu pai Luís de França, entre outros. Este ano vamos ter que chamar o egum dele. Pra isso a gente pede uma seriedade na cerimonia. Além de ser profano, é também um momento religioso e temos que estar preparados no sentido de levar boas intenções e energias, porque ali a gente pede nossa proteção”, reforça Karen Aguiar.

Com apoio da Fundarpe, a celebração irá reunir no próximo dia 25 de fevereiro, no Sítio Histórico olindense, a partir das 19h, dez nações de maracatu de baque-virado

Durante a cerimônia, a frente da igreja é banhada de perfume e, em seguida,  às 0h, o rufar dos tambores se transforma em silêncio. Encerrado o ritual, é feita uma queima de fogos e os batuques retornam ao local,

A organização da 18ª Noite para os Tambores Silenciosos é feita por todos os grupos envolvidos. Já a Fundação de Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco é responsável pelo pagamento dos cachês das dez nações de maracatu de baque-virado, enquanto a Prefeitura de Olinda oferece a estrutura necessária.

Esta será a primeira vez que a cerimônia não será realizada por Mestre Afonso, babalorixá e mestre do Maracatu Leão Coroado (Patrimônio Vivo de Pernambuco) que faleceu no ano passado

“Ano passado perdemos o Mestre Afonso, babalorixá representante do Maracatu Leão Coroado e que, desde a primeira edição da Noite para os tambores silenciosos de Olinda, realizava a cerimônia religiosa durante o evento. Esta vai ser uma noite de saudades, mas que também reforça a força da cultura popular do nosso estado através dos maracatus, Patrimônios Imateriais Culturais do Brasil, segundo o Iphan”, comenta Marcelo Canuto, presidente da Fundarpe.

A Noite para os tambores silencioso de Olinda surgiu a partir de uma obrigação religiosa dos maracatus olindenses e terá, além do Maracambuco e Maracatu Leão Coroado, a participação do Maracatu Nação Camaleão, Maracatu Nação Badia, Maracatu Nação de Luanda, Maracatu Nação Pernambuco, Maracatu Nação Estrela de Olinda, Maracatu Nação Tigre e Maracatu Nação Sol Brilhante.

Alguns grupos vão sair de branco, que é a cor do luto nas regiões afro-brasileiras, numa demonstração de respeito ao Mestre Afonso

Segundo Nilo Oliveira, presidente do Maracambuco, há uma preparação especial por parte dos maracatus para esta festa. “Cada agremiação está nos seus preparativos próprios para a Noite. No dia 21 de fevereiro, o Maracambuco, por exemplo, se reúne só pra isso. Porque a Noite não é apenas uma manifestação de Carnaval, é uma cerimonia religiosa de muita importância e não pode ter nada que fuja dos conformes. Além disso, estamos de luto com a perda do mestre. A ficha de muita gente ainda não caiu que será a primeira vez sem ele”, lamenta.

A diferença entre a Noite realizada em Olinda e no Recife, segundo Nilo, vai além dos fatos óbvios como o local, o nome e a data da realização – No primeiro caso acontece na segunda anterior ao Carnaval, enquanto na capital pernambucana é realizado na segunda-feira da folia. “Além disso, em Olinda a festa é organizada pelas próprias agremiações, e ai temos o apoio da Fundarpe e da Prefeitura de Olinda. No segundo, é um evento promovido pela Prefeitura do Recife”.

A Noite terá a participação dos grupos Maracatu Leão Coroado, Maracatu Nação Camaleão, Maracatu Nação Badia, Maracatu Nação de Luanda, Maracatu Nação Maracambuco, Maracatu Nação Pernambuco, Maracatu Nação Estrela de Olinda, Maracatu Nação Tigre e Maracatu Nação Sol Brilhante.

Nilo explica que assim que o Carnaval acaba os grupos já começam a sentar para discutir os assuntos da Noite do próximo ano. “Os encontros são realizados nas segundas e terças-feiras, na sede do Maracambuco, a depender dos pedidos dos grupos. Neste momento a gente avalia o que pode melhorar no ano seguinte, de infraestrutura e produção. Como somos uma cooperativa, isso é algo que demanda muita responsabilidade dos grupos”.

Este ano, assim como nos outros, a 18ª Noite para os tambores silenciosos de Olinda não terá tema por conta do cunho religioso. “Tanto é que não vai ter nem reverência ao Mestre Afonso, porque ele não gostava dessas coisas. Mas alguns grupos vão sair de branco, que é a cor do luto nas regiões afro-brasileiras, numa demonstração de respeito ao que ele representa”, ressalta Nilo.

Nos últimos anos a Noite cresceu de uma forma tão grande que sua 16ª edição foi premiada com o IberCultura Viva, programa intergovernamental de cooperação técnica e financeira voltado para o fortalecimento das políticas culturais de base comunitária dos países ibero-americanos. Em 2017, o evento olindense foi a única iniciativa brasileira a receber este prêmio.

 

 

 

Fonte: http://www.cultura.pe.gov.br

 

 

2019-02-19T09:51:02+00:00 fevereiro 19th, 2019|Vitrine|0 Comentários

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