O Frevo sua história passo a passo – Pedro Queiroz

 

Foto: Claudiene Santiago

 

 

Por eu ser pernambucano

É por isso que me atrevo

A falar do agitado ritmo

Que tem o nome de Frevo.

Sua Historia Passo a Passo

Neste folheto descreve.

 

Desde a Idade Antiga

Que a dança se cultua

O índio dança o Toré

No meio da selva nua

Sob o ritmo do Frevo,

Dança-se no meio da rua.

 

No Brasil de vários ritmos:

Samba, Carimbó, Xaxado,

Maxixe, Coco, Baião…

De estilo cadenciado

O Frevo é incomparável

Por ser mais acelerado.

 

Recife, berço do Frevo,

Onde tudo começou

Fim do século dezenove,

Foi quando se propagou

Esse eletrizante ritmo

Que a todos empolgou.

 

Esse gênero de música

Do Brasil, é pioneiro

Orgulha o pernambucano

Um povo alegre e festeiro

Que “cai no Frevo rasgado”

Quando chega fevereiro.

 

A origem do nome Frevo,

Derivado de ferver,

Que é rápido e esfuziante,

Faz qualquer um se mexer

Aquece o folião

A ponto de “efervescer”

 

O Frevo é estruturado

Em cima de alguns pilares:

O Dobrado executado

Pelas bandas militares,

Quadrilha, Maxixe, polca…

Vários ritmos populares,

 

Com o Frevo dança-se o passo

Livre, mas sincronizado,

Herdado da capoeira

Com um frenético gingado

Fazendo evoluções

De modo cadenciado.

 

Existem inúmeros passos

Famosos e conhecidos

Criados pelos passistas,

Rápidos e divertidos

Verdadeiros acrobatas,

Artistas desconhecidos.

 

Tem o passo Saca-Rolha

O Tesoura, Dobradiça,

Pisando em Brasa, Saci,

Que a todos enfeitiça

O Parafuso, o Pernada…

Pois o Frevo é quem atiça.

 

A sombrinha é um adereço

Que o passista utiliza

Pra ter melhor equilíbrio

Também serve de baliza

Pra fazer evoluções

De maneira mais precisa.

 

Há três variações do Frevo:

De Rua, Frevo-Canção,

Também o Frevo-de-Bloco

Com especifica entonação

Pra se ouvir ou dançar

Ao gosto do folião.

 

Frevo Canção é poético

E com bela harmonia

É a poesia no Frevo

Recheada de alegria,

Com vozes bem afinadas

No “coração” da folia.

 

O frevo-de Bloco é lírico,

Da saudade, os “pedacinhos”

Entoado por clarinetes,

Violões, banjos, cavaquinhos,

E um coro feminino,

Emoldurada seus caminhos.

 

Frevo-de-Rua, o que agita,

É o tipo “furacão”

Predominando os metais;

Trombone, Sax, Pistão…

O folião dança o passo

No meio da multidão.

 

Quando alguém “cai na frevança”,

Nessa onda de alegria,

Fica difícil parar

Não quer deixar a folia

O Frevo é estimulante,

Tem uma certa magia.

 

Para se dançar o passo,

Basta ter inspiração

Não precisa parceria

Pra fazer evolução

Quem quiser abrilhantar

Basta a sombrinha na mão.

 

Dança o passo na rua,

Nos dias de Carnaval,

Requer boa vitalidade,

Ser folião natural

A multidão se Inflama,

Pois o furdunço é geral.

 

Ao se ouvir Vassourinhas,

Não dá pra ficar parado

O folião “enlouquece”

Fica meio “endiabrado”

Pelas vibrações do Frevo

Tem o seu corpo tomado.

 

Carnaval de Pernambuco,

Que a ninguém discrimina

Brinca o jovem, o Idoso,

O menino ou a menina

É festa contagiante,

Pois o Frevo contamina,

 

No bairro de São José,

Quando chega fevereiro

É o Frevo quem comanda,

Ali é o seu “terreiro”,

O folião se engalana,

Pois é festa o mês inteiro.

 

Na cidade de Olinda

Todos sabem como é:

É um sobe-desce ladeira

Com muito Frevo no pé

Tanto faz nos Quatro Cantos

Ou Praça do Jacaré.

 

O Frevo tem o seu dia,

Que é nove de fevereiro

Um mês muito acalorado,

E que passa bem ligeiro

Porém ele deveria

Ser chamado FREVEREIRO.

 

Louvo os compositores

Por sua aptidões

Esses grandes menestréis,

Do Frevo, os “guardiões”,

Os reis desse belo ritmo

Que empolga gerações.

 

Entre outros, citado Capiba,

Nelson Ferreira, baluarte,

O grande Edgar Morais,

Do Frevo, porta-estandarte,

Levino Ferreira, um bravo

Todos gigantes dessa arte.

 

Saúdo blocos, clubes, “troças”…

Transmissores da euforia

Embaixadores do Frevo,

Condutores da folia

Representantes maiores

De toda essa alegria.

 

Folião pernambucano ,

Um brincante sem igual

Merece nossa homenagem

Por se jeito natural

De esbanjar alegria

Nos dias de Carnaval.

 

Quem “cai no passo rasgado”,

Uma dança-terapia,

Esquece das desventuras,

Ignora o dia-a-dia,

Reativa a musculação,

Ostenta disposição,

Zera a melancolia.

 

Fim

 

 

O Frevo sua história passo a passo I Autor: Pedro Queiroz, Literatura de Cordel, Recife, setembro de 2010 – 4ª Edição

 

 

 

2018-12-13T09:07:33+00:00 janeiro 3rd, 2019|Cordel, Danças|0 Comentários

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