Roberto Celestino – O homem que adulterou com o diabo

Certo homem já casado

Muito dado a farrear

Todo final de semana

Ia ele procurar

Um forró pra diversão

Pra cair na curtição

Nem lembrava do seu lar.

 

Costumava só chegar

Em seu lar no outro dia

Quando a mulher reclamava

Ele logo assim dizia:

Quem manda em mim sou eu

Quando tu me conheceu

Era assim que eu vivia.

 

Toda semana saía

Para a vida tão devassa

Cabra mais raparigueiro

Não havia pela praça

Andava léguas a pé

Procurando um cabaré

Pra zuar, beber cachaça.

 

Não sabia que a desgraça

Já estava lhe rondando

Pois quem vive desse jeito

Sua cova está cavando

Com a vida desregrada

A Deus também desagrada

Deixa a família chorando.

 

Ele estava se arrumando

Numa sexta-feira

Já pensando em sair

Pra cair na bagaceira

A mulher fez um pedido

Para que o seu marido

Não saísse com rameira.

 

Ele disse ser besteira

A sua reclamação

Só saía pra beber

Era sua diversão.

Quanto mais ele falava

A esposa duvidava

Não acreditava não.

 

Aumentou a discussão

Ele começou gritar

Em um tom de violência

Mandou ela se calar.

Disse: Preste atenção

Nem que seja com o Cão

Hoje eu vou me deitar.

 

Terminou de se arrumar

E de casa ele saiu

Seu destino era certo

Para um forró seguiu

Lá chegou bem sorridente

Uma dose de aguardente

Ao garçom ele pediu.

 

De repente ele viu

Uma loira muito bela

E foi logo perguntando

Aos demais quem era aquela

Mas ninguém a conhecia

Por ali nunca se via

Mulher bela feito ela.

 

Ele aproximou-se dela

Começaram a conversar

Depois ele a convidou

Para com ele dançar

Ela logo aceitou

E com ele ela dançou

Até ele se cansar.

 

Ele a chamou pra tomar

Uma cerveja gelada

Ela disse: eu quero cana

Dessa pura sem ter nada!

Ele deu-lhe a latinha

E ela bebeu todinha

Somente de uma golada.

 

Quando vinha um camarada

Querendo dançar com ela

Ele bravo lhe falava:

Nem bote seu olho nela,

Essa dama é só minha

Vá pra lá dá uma voltinha

Pra sair de perto dela.

 

Ele pra molhar a goela

Pediu mais uma bebida

O que vinha ela engolia

Cana, vinho ou batida.

Ele disso se agradava

Porque ele planejava

Deixá-la descontraída.

 

A palavra proferida

À mulher na discussão

Quando disse que deitava

Nem que fosse com o Cão

Ia se concretizar

Para a ele ensinar

Não falar coisas em vão.

 

Segurando ele na mão

Da tal jovem atraente

Convidou-a pra sair

Para outro ambiente

Disse: vamos tomar

Ali fora passear

Pois aqui ta muito quente.

 

Ela muito sorridente

O convite aceitou

E lá fora ligeirinho

Ele logo a agarrou

Sentindo o corpo tão quente

O desejo era ardente

Forte ele a beijou.

 

E de súbito lembrou

Do que a esposa dizia

Quando o aconselhava

Porém ele nunca ouvia

Procurou disso esquecer

E voltou a se envolver

No beijo que o aquecia.

 

Ali ela se despia

Ele foi mais adiante

Do beijo pra algo mais

Ele passou num estante

Então já extasiado

O seu fogo foi cortado

Com um riso horripilante.

 

E a cena adiante

Foi de filme de terror

Quando ele abriu os olhos

Foi tomado de temor

A mulher com quem luxava

Nesse instante se mostrava

Numa imagem de horror.

 

Viu um rosto de furor

Com dois olhos flamejantes

Com a língua de serpente

As narinas fumegantes

Tudo muito diferente

Da galega atraente

Que ele conhecera antes.

 

Entre berros lancinantes

Foi que ele descobriu

Que aquilo era o diabo

O que disse se cumpriu.

Então não mais aguentou

Sobre as pernas despencou

Ali mesmo ele caiu.

 

Quando o olho ele abriu

Tinha o dia amanhecido

O forró já acabado

Todos já se tinham ido

Ele ficou perturbado

Não sabia ter sonhado

Ou foi fato o ocorrido.

 

E ficou doido varrido

E de casa não sai mais

Ele uiva, anda de quatro

Imitando os animais.

A mulher não aguentou

Outro homem arrumou

Deixou ele para trás.

 

Não brinque com satanás

Por ele não chame não

Pense bem nessa história

E que sirva de lição

Para não dizer besteira

E por isso nunca queira

Encontrar-se com o Cão.

 

 

O autor:

Roberto Celestino

Taquaritinga do Norte -PE

 

 

 

 

 

2018-11-06T14:02:40+00:00 novembro 3rd, 2018|Cordel|0 Comentários

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