Território indígena Fulni-ô recebe sessão de cinema neste sábado (12)

“THYNIA”, novo curta-metragem da artista Lia Letícia, estreia no território onde toda a parte sonora do filme foi gravada. Na ocasião, também serão exibidos os curtas “Tempo Circular”, de Graci Guarani, e “Tedyasese”, de Elves Ferreira.

O território indígena Fulni-ô, no município de Águas Belas, agreste do Estado, recebe neste sábado (12), uma sessão de cinema gratuita. O evento marca a estreia do novo curta-metragem da diretora e artista visual Lia Letícia, que contou com o incentivo do Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura.

Thynia é o novo curta-metragem de Lia Letícia

O curta “THYNIA”, que surgiu a partir de uma residência artística de Lia em Berlim (Alemanha), “é uma alegoria sobre o imaginário de colonizados e colonizadores e está fundamentado na ideia de que a tensão entre uma narrativa visual e uma narrativa sonora pode gerar um novo significado, um novo sentindo para uma determinada imagem”, explica a realizadora no material de apresentação do filme.

Durante a residência na Alemanha, Lia encontrou dois álbuns de fotografias em um “mercado de pulgas”. O álbum registra três décadas de aniversários, viagens e festas ocorridas entre 1960 e 1990 de uma mulher chamada Inge. A partir dos álbuns, a diretora criou uma narrativa na qual Inge e seus compatriotas terminam por ilustrar textos de cronistas alemães que viajaram para o Brasil entre os séculos XVI e XVIII – Hans Staden, Johan Baptist von Spix e Karl Friedrich Philip von Martius. Tudo narrado por uma voz off na língua indígena do povo Fulni-ô/PE, o yathee.

A indígena Maria Pastora em gravação para o filme

A obra foi filmada em Olinda e em Águas Belas, e recebeu a colaboração de vários profissionais, como a do antropólogo indígena Wilke Torres, que revisou a tradução para o yathee e mediou o contato com o Coletivo de Cinema Fulni-ô, parceiro e parte da equipe do filme. Toda a parte sonora foi gravada no Território Indígena, incluindo a narração em yathee, feita por Maria Pastora, que empresta seu nome indígena ao filme.

O desenvolvimento do projeto contemplou ainda momentos para troca de experiências como conversas sobre produção cultural, linguagem cinematográfica, além da exibição de filmes, entre membros do Coletivo de Cinema Fulni-ô, a produtora executiva e consultora de roteiro do curta-metragem, Clarice Hoffmann, e a diretora.

Thynia recebeu incentivo do 10º edital do Funcultura Audiovisual

Agregando recentes produções audiovisuais desenvolvidas por cineastas indígenas, a sessão deste sábado contempla ainda a exibição dos curtas
 ”Tempo Circular”, de Graci Guarani, e “Tedyasese”, de Elves Ferreira.

SERVIÇO
Estreia do curta THYNIA, de Lia Letícia
Praça do Território Fulni-ô, em Águas Belas – PE
Sábado, 12 de janeiro, a partir das 18h
Sessão com participação da diretora, da equipe de Águas Belas e parte da equipe Olinda
+ Exibição dos curtas “Tempo Circular”, de Graci Guarani e “Tedyasese”, de Elves Ferreira

SAIBA MAIS SOBRE A REALIZADORA

Lia Letícia é natural de Viamão/RS, iniciou a carreira com cenografia em teatro e escola de samba. No final da década de 90 muda-se para Olinda/PE e explora a pintura em diversos suportes, inclusive o audiovisual. Surgem as primeiras investigações em videoarte e filmes experimentais. Além de escrever e dirigir seus próprios filmes, trabalha como diretora de arte. Seus trabalhos transitam entre festivais de cinema e exposições de arte. Coordena o Cinecão, mostra de artes híbridas e é educadora em projetos de experimentação audiovisual, como a Escola Engenho. Vive em Recife.

Em sua filmografia, temos SHHH! – Vídeoarte (Recife/2004), Cotidiano do Ovo de Codorna – Videoarte (POA/2007), De Todos os Lugares, o Mundo – Videoarte (2009), Vendo Meu Voto: Tratar Aqui – Videoarte (2010), Orwo Foma – Curta (Recife/Rio de Janeiro/2013), Encantada – Curta (Ilha de Itamaracá/2014), Desculpe Atrapalhar o Silêncio de sua Viagem – Vídeoarte (2015), Golpista Desde Sempre – Videoarte (2016), Terra Não Dita, Mar Não Visto – Curta (Recife/2017), Thinya – Curta (Olinda/Águas Belas/2019).

 

 

 

Fonte: http://www.cultura.pe.gov.br

2019-01-10T09:23:30+00:00 janeiro 10th, 2019|Povos|0 Comentários

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